Pra quem preza a liberdade

Oi, meus anjos.

Tem muito tempo que não batemos um papinho, né? Como você está, o que tem feito de bom, quais as novidades?

Aproveitando uma letargia fora de hora pra filosofar um pouquinho, ando com saudades de soltar meu paiol de bobagens com os amigos.

Hoje é segunda-feira, dia que adoro de montão. Tem um saborzinho a mais para quem é carioca, por ser véspera de feriado do padroeiro de cidade, São Sebastião. Reza a tradição que os dias do santo são sempre de muito sol porque Sebastião também adorava pegar uma prainha. Não há padroeiro melhor para o Rio, né? :)

Mas eu estava falando é de liberdade, tentarei focar no assunto. Isso porque a algum tempo tenho me sentido advanced-plus-free, isto é, totalmente livre. Apesar dos inúmeros compromissos da minha oscip; da literatura (meio esquecida, é verdade); a mãozinha no meu clube de paixão; os cursos e as obrigações prazeirosas nossa de cada dia, como assistir por vinte vezes o mesmo dvd com o filho pentelho, só pra ouvir suas risadinhas; dei-me conta que fiz do meu tempo o que eu queria. Atingi um ponto que posso falar de cadeira que só faço o que quero e gosto. Nesse trajeto acabei conquistando alguns sonhos de consumo e confortos que pessoas que trabalham em troca de salários não tem. Deve ter a ver com a frase que diz que dividir é a maneira mais rápida de multiplicar. :)

Fiquei mais chata e exigente com algumas coisinhas também mas são atitudes que condizem com minhas crenças. Por exemplo, já que os jornais sáo falam da situação em Gaza; desde que descobri que os Estados Unidos utilizam mais da metade de suas verbas em guerras, parei de adquirir produtos que vem de lá. Tem horas que não dá, como a Internet, por exemplo. Penso que, se prefiro a paz e se desejo a paz mundial, devo dar atenção a países que tenham a paz como política ou que estejam próximos disso. Não deu para evitar tornar-me fã dos japoneses, esquimós e outras culturas.

Por ficar longe das telas da tevê, tenho a vantagem de não ser bombardeada com apelos consumistas e vazios. No outro dia, um amigo desesperado escreveu-me pedindo indicação de um bom software para pdf. Ele é escritor e queria fazer um livro digital. Apenas respondi com uma pergunta: "Você usa microsoft office? Se sim, pode desinstalar e passe a utilizar o BrOffice". Ele nunca havia escutado sobre esse soft. Fiquei imaginando o quanto de coisas boas que temos, livres, e acabamos preferindo coisas caras e complicadas.

Creio que a maioria tenha o piratex instalado, com preço bem mais em conta. Mas me expliquem que preferência é essa? Ficamos com o piratex, que tem bem menos recursos, enfrentamos problemas com a atualização, com vulnerabilidades sem fim, salvamos arquivos que ficam com o dobro ou o triplo de peso ocupando espaço no nosso micro. Do outro lado temos um software livre, totalmente gratuito, que nos permite exportar tudo para pdf, seja qual for o aplicativo que estivermos usando (slides para pdf, documentos para pdf...), bem mais leve sem nenhum problema de instalação ou crises de insegurança - enfim, com mil e uma vantagens ao software piratex. Qual você está usando?

Será que estamos gerindo nossa vida assim também? Procuramos sempre o mais complicado? Avida é tão simples. O que me leva a recordar uma poesia de Vicente de Carvalho, que ouvi ainda menina e que, desde então, tem sido meu guia em muitos momentos. A poesia diz assim:

Velho Tema I

Só a leve esperança, em toda a vida,
Disfarça a pena de viver, mais nada;
Nem é mais a existência, resumida,
Que uma grande esperança malograda.

O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz, sempre adiada
E que não chega nunca em toda a vida.

Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos,

Existe, sim: mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos.


Não teve meu famoso humor, mas com certeza tem muito carinho. :)

Bons fluídos e mais atenção em si mesmo. São meus votos para 2009!

Beijinhos carinhosos

Elida Kronig, sem fronteiras. :)

3 comentários:

Anônimo disse...

pessoinha linda, com vc por perto, qualquer um se torna um logosófico. Tudibom.

bastaestarvivo disse...

Elida,
esse soneto é lindíssimo e eu Decorei lá na adolescencia. nunca me esqueci.é lindíssimo.mas convenhamos, é bastante pessimista né?
Sobre os japoneses,eles são pacifistas? talvez agora, nos últimos 60 anos, digamos. Mas até a 2a guerra eram muito belicosos. Práticamente todos os povos da Asia sofreram barbaridades deles, a começar pelos chineses. Muita coisa. Coreanos e filipinos também sofreram horrores nas mãos dos japoneses.

Elida Kronig disse...

Oi, bastaestarvivo.

Não é pessimista, não. Traz um alerta no último terceto. Nos afirma que só não somos felizes quando colocamos nossa felicidade longe de nós. Por conclusão, reconhecemos que a felicidade só depende de nós.
O Vicente Carvalho foi magnífico! :)

Beijinhos carinhosos