Hoje me permito....

Gente do céu, quanto tempo!....

Hoje abri uma exceção pra me permitir sonhar, descansar, escrever. Tem tempos que não escrevo pelo simples prazer de escrever.

Fosse eu uma caneta estaria agora em andanças estapafúrdias por papéis incontáveis. Escritos, rasuras, reescritos, reconstruções, acertos gramaticais e ortográficos, talvez mais algumas rasuras e mais um novo papel passando tudo a limpo. Visto desta forma, podemos concluir que escritores não são nada ecológicos. Quantas folhas de papel Machado de Assis deve ter usado para construir Dom Casmurro? Nem precisamos ir tão longe (naquela época não havia tanto papo de ecologia e preservação do meio ambiente). Vamos tentar imaginar quantas folhas datilografadas o meu amado João Ubaldo Ribeiro utilizou em toda sua carreira de escritor/jornalista/roteirista e etc?... AFF! (está vivo, viu, galera? o verbo no passado é porque agora o meu amado usa computador). Seremos perseguidos pela Guarda Ecológica, no dia que inventarem alguma. Temos o computador, o que facilita bastante. Não é a mesma coisa que gastar folhas e mais folhas de papel mas cumpre bem o objetivo.

Falando em computadores, vou pular para telas LCD. Você tem uma dessas ou ainda está com aqueles monitores 'tubão'? Meu amigo, se seu monitor é 'tubão', não troque por um LCD nem que a porca crie asas. LCD siplesmente 'frita os olhos', como bem descreveu o Aurélio Verde (outro de meus amados fofos). Estou morrendo de saudades do meu monitor 17' tubão, que em nada se compara com um LCD 25'. A única vantagem do meu LCD é usar menos a barra de rolagem. A vantagem acaba aí. (meu filhote está me consertando, dizendo que meu monitor não é 25'; é um 23'. Que seja!).

A caneta, motivo deste post. Vamos imaginar juntos como seríamos se fôssemos simples e singelas canetas.... Uma caneta de bom-humor e boa vontade se descreveria assim, em seu uso:

Em meio a um sono estendido, de veias abertas ao vento que passa por fora de meu capuz encorpado, desperto de meus sonhos ao toque quente e úmido reconfortante de uns dedos vorazes. Como quem sabe o que faz, arranca-me o topete deixando-o à borda de meus pés.

Forçada, ao pé da folha, muito bem próxima de beijá-la mas sem que me permitam alcançá-la de fato, simplesmente aguardo. Os dedos, agora inquietos, sacodem-me de um lado a outro, provocando tonturas com as rápidas pancadas de vai-e-volta, tentando alcançar (ou quem sabe, encontrar) um algo que vaga no ar da insconciência palpável e indescritível, vindo da necessidade ardente de inventar. Aguardo assim a hora e o momento de traçar novos rumos e vidas, retratos em curvas, vírgulas e pontos, que só quem me guiará saberia dizer ao certo - ou não, exatamente o que são.

Inseguramente firme sou levada ao toque, ao beijo que principia o ato entre mim e à virgem que vejo deitada à minha frente, tão branca e pura e ao mesmo tempo maliciosa e arguta com suas linhas guiando ao caminho do clímax. Daqui ao ponto final, minha tarefa será obedecer aos desejos de quem me segura, em breve, aflita, voraz, sequiosa do último espasmo de satisfação plena.

Sigo. Plenamente desperta em meus instintos e funções, cumpro o dever de manter em ascendente a chama que me invoca o espírito. Subo e desço de colinas voluptuosas, vou e volto de picos eretos ao norte. Provoco nós, pingos e pausas; vou longe e perto da maturidade final. E engano.

Na ânsia, corrompo as linhas e sigo um tanto trôpega, além dos limites da velocidade que a sã sanidade anormal me permite. O ponto final chega com a força descomunal de mil Afrodites estarrecidas aos encantos de um monumental Apolo.

Numa pausa apenas, respiro fundo e atravesso do passado ao último futuro dessas derradeiras horas; riscando, refazendo, recompondo o acervo. Por fim, termino. Repouso agora quase esquecida. Usada, abusada, gasta e cansada, conservo comigo o prazer da coautoria invisível do mundo que criou vida. Mãos felizes voltam-me novamente o algoz capuz, descomunalmente pesado nesta hora. meu parto começa uma nova trilha levando meus traços... Sem fim.

AFF! Agora fiquei com fogo de caneta. Vou ali e já volto. :)

Bjs carinhosos

Parabéns às mamães que escrevem novas trilhas sonoras da vida. E aos homens que nos fazem tão plenamente mulheres.

Bjs carinhosos
Elida

2 comentários:

Anônimo disse...

hello ponderante post , amei bastante, penso que poderiamos tornar-nos blog palls :) lol!
Aparte de brincadeiras o meu nome é Cristiano, e como tu publico webpages se bem que o foco do meu space é muito diferente do teu....
Eu desenvolvo páginas de poker que falam de bónus sem depósito sem arriscares o teu dinheiro......
Amei imenso o que li aqui novamente
Virei aqui mais vezes
Ps:tenho um portugues ruim.

Elida Kronig disse...

Oi, Cristiano

Grata pela visita e pelo comentário.
teu português está acima da média do que tenho visto na minha caixa de e-mail. :)

Bjs carinhosos